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A Obesidade e o medo

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Sim, eu sou obesa afirmava a palestrante desafiante. A plateia, na sua maioria com notório excesso de peso entreolhava-se e perguntava-se? Obesa onde? Até que então tinha chegado o momento pelo qual a palestrante esperara com sua aformação provocatória. alguém da plateia pergunta:- "Está a gozar ou quê?". Ela sorriu perante a reação previsivel e tão necessária para iniciar o debate e responde: - Agora não estou obesa mas já estive e mentalmente ainda sou. Tal como um alcoólico em recuperação. Tal como um toxicodependente em recuperação. A plateia respira fundo agora mais tranquila pelo comentário que suscita as mais variadas emoções e reações, quase todas negativas. A obesidade é um tabu na sociedade, na nossa sociedade, um mito mas também uma doença resultante não só da alimentação errada e abundante mas também das emoções. Passo a explicar: qual o gordo que não tem medo de se pesar? Eu tinha! Qual o gordo que se chama de gordo a si mesmo? Eu não! Quem nunca sentiu a r...

A Ansiedade

Normalmente ela chega sem avisar muito. De início pequenos sinais. Boca seca, mãos suadas, uma ligeira dificuldade em respirar...Com o tempo, a somatizações: as dores de cabeça, as dores de barriga, os desarranjos do funcionamento intestinal...mais à frente, as hipertensões, os colon irritáveis, as dores musculares que não cedem a medicação, as que são de etiologia orgânica não detetável. Em seguida as crises de pânico que toda a gente desvaloriza apelando ao auto-controlo. Aquele auto-controlo que há muito que deixou de ser possivel porque o corpo já reage sozinho ao menor estimulo desencadeante que pr vezes pode ser apenas um pensamento. Desvalorizadas de forma geral por conhecidos, hipovalorizadas por muitos clínicos e psicólogos sabemos que estas perturbação chegam a ser tão duras e tão reais que as pessoas muitas vezes tomam opções drásticas de colocar término á vida. E, no entanto têm solução: uma boa avaliação psiquiátrica com a medicação adequada seguida de uma boa avaliação ...

Prenda de Natal

Hoje soube que a menina do post anterior está a ter bons resultados na escola, a professora está animada, os pais estão esperançados e eu estou francamente contente. Imagino como ela deve estar: o sapatinho não deve ter tido tamanho suficiente para tanto contentamento. Foi uma bela prenda de Natal que recebi, assim em jeito de e-mail. Ainda temos todo um caminho para percorrer mas a ponta do fio da meada foi encontrada. Agora, é ir pacientemente colocando tijolo em cima de tijolo para que daqui a uns tempo tenhamos construido um muro, mais tarde uma parede e depois (bem depois) uma casa inteira. É um exercicio de paciência para os cuidadores e educadores. É um exercicio de auto-afirmação e auto-controlo para ela. É sobretudo, uma missão que envolve amor, fé e confiança no futuro. Mas não é para isso que temos filhos? Excelente 2013 a todos os pais e professores de crianças e jovens com PHDA. Jinhos Paula

És tu que me vai pôr normal?

Foi uma pergunta feita pela menina de 7 anos que tinha à minha frente: sainha plissada, laço no cabelo, óculos que teimavam em escorregar para a ponta do nariz e uma agitação sem tamanho, maior do que ela. O meu coração quase se partiu. Mas, os psicólogos não podem mostrar emoções quando estão perante um utente ou pelo menos demasiadas emoções. Num ápice, senti a desorganização de pensamento, a angústia desta criança, o desespero dos pais, a preocupação da professora porque tinham dito que ela não era normal.  Quem, perguntam? Toda uma sociedade que teima em colocar-nos rótulos cada vez mais standardizados. Quando lhe fiz a avaliação intelectual fiquei mais animada: era média. Podiamos avançar um pouco mais, podiamos ter mais esperança, assim. Eu respondi-lhe: - Não sei amiga, mas vou tentar com a ajuda de uma pediatra muito boa que tem um remédio bom vamos tentar ajudar-te. Por acaso não foi uma pediatra mas uma médica de família que resolveu a situação do ponto de vi...

Prestar atenção, lembrar-se e organizar

Prestar atenção cada vez mais aos inúmeros estímulos do dia-a-dia. Saber escutar, memorizar, recuperar a informação da memória, organizar os sumários, organizar a mochila, organizar os tpc's, organizar o trabalho, organizar os filhos, organizar a casa, organizar-me para organizar os que ainda não se conseguem organizar...Uff! Fico cansada só de pensar nisso. Com todas estas tarefas que os alunos têm hoje pela frente admiro-me como eles não têm uma agenda, um notebook, um planificador, seja lá o que for e que grite "tens de tomar o comprimido", "amanhã há teste", "vai buscar a roupa á lavandaria", "olha que a consulta passou das 11h para as12h" (algo eletrónico em vez da mãe). No meio disto tudo continuo a achar que uma agenda mesmo daquelas bem pequenas é fundamental para que pessoas desatentas, distraídas ou apenas "despistadas" tenham uma melhor qualidade de vida e cumpram as tarefas que lha são pedidas. A minha agenda é um...

As crianças Hiperativas

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Precisam de amor, precisam de compreensão, precisam de um bom diagnóstico, consoante a severidade precisam de medicação, precisam de pais bem informados acerca da desordem, precisam de um corpo docente esclarecido. Precisam de acreditar em si e precisam que nós, os adultos que os formamos, acreditem nelas. E como acreditar sem invadir? Como motivar sem insistir? Como compreender sem empurrar para o desespero de não saber ser de outra forma? O que é isso de "comportar-se bem"? Como aprendo a estar quieto e a prestar atenção quando tudo o que eu mais queria não consigo? Por isso foi criado esse espaço: para construir passo a passo pequenas respostas para estas questões. Pelo caminho faremos propostas de formações acerca deste tema e outros. Podemos crescer juntos Paula Temudo