A Obesidade e o medo
Sim, eu sou obesa afirmava a palestrante desafiante.
A plateia, na sua maioria com notório excesso de peso entreolhava-se e perguntava-se? Obesa onde?
Até que então tinha chegado o momento pelo qual a palestrante esperara com sua aformação provocatória. alguém da plateia pergunta:- "Está a gozar ou quê?".
Ela sorriu perante a reação previsivel e tão necessária para iniciar o debate e responde: - Agora não estou obesa mas já estive e mentalmente ainda sou. Tal como um alcoólico em recuperação. Tal como um toxicodependente em recuperação.
A plateia respira fundo agora mais tranquila pelo comentário que suscita as mais variadas emoções e reações, quase todas negativas.
A obesidade é um tabu na sociedade, na nossa sociedade, um mito mas também uma doença resultante não só da alimentação errada e abundante mas também das emoções.
Passo a explicar: qual o gordo que não tem medo de se pesar? Eu tinha! Qual o gordo que se chama de gordo a si mesmo? Eu não! Quem nunca sentiu a rejeição social, o peso do desgosto de estar gordo (ser diferente de estar).
No meio de tudo isto quem nunca precisou da gordura que acumulou para se proteger das emoções do mundo, quem nunca usou este processo como desculpa para fugir de viver? Muitas pessoas acreditem.
O processo de desbloqueio da obesidade passa por ajudar o paciente quanto este realmente QUER e não quando os outros pressionam. Quando este resolve investir na sua auto-estima, gostar de si e fazer algo por si em vez de estar continuamente ao serviço dos outros.
É um processo doído que começa quando se perde o medo da palavra gordo, quando se perde o medo da balança e quando se encara com felicidade o que se vai fazer: uma dieta bem concebida com acompanhamento semanal, com profissionais que compreendem e não julgam, enfim com amor.
Um grande abraço
Paula

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